Enfim a viagem começa e as minhas mãos tremem...
Chego cedo à rodoviária após um dia tranquilo e ensolarado, uma coleção de empanadas de catupiry me esperam na bolsa, estou feliz. Me aconchego em um desses bancos azuis desconfortáveis, tudo parece bom, descanso as costas que já gritam. É incrível como é difícil fazer uma mala, há dias roupas e afins passam por uma inspeção quase nazista, onde tudo tem um fim ou uso. Para mim a mala é um ponto preocupante, há tempos que tenho as costas frágeis devido a um tombo matinal em uma escadaria de madeira bem sólida, dos tempos que havia a preocupação em fazer coisas resistentes.
Uma das grande dificuldade em ser fotógrafo são os equipamentos, é bem pesado ter filhos eletrônicos, além do mais, é a primeira vez que faço uma viagem longa com meu laptop e já sinto as conseqüências de ter uma tela widescreen em minhas costas, mas te falar...santa invenção!!!
A rodoviária é um verdadeiro “quilombo”, por aqui as companhias de ônibus se apinham aos cachos em um não muito grande espaço, e conseqüentemente passo da minha felicidade incondicional para um vai e vem angustiante, na tentativa de descobrir meu ônibus que teoricamente estacionaria entre as plataformas 19 e 42, muito animador e excitante, poderia dizer. A questão é que após andar de um lado para o outro por pelo menos meia hora, já começo a sentir aquele comichão bem brasileiro, ou seja, bem pessimista e derrotista de que tem algo errado. Uma voz abafada fala em fracas caixas de som que se espalham pelo ambiente, forço os ouvidos para entender algo, sem sucesso. Tento ler ou ver os nomes dos ônibus no painel eletrônico e me sinto mais confusa.
Pontualmente as 19:45h, quando eu já estava a arrancar os cabelos em total desespero devido a: 1.ter perdido a viagem, 2.não compreender nada, 3.ter andando de um lado para o outro e não ter encontrado o maldito ônibus, 4...
Entendo enfim algo bem familiar vindo da caixa de som acima de minha cabeça: - Marilia Pellicciotta comparecer a boleteria 47! Mariliaaa Pellicciottaaaa comparecer a boleteria 47!!!
Rasgo o salão, a mala nunca pareceu tão leve, subo correndo as escadarias e os cabelos revoltos tapam a vista, tento enxergar ou entender algo em meio a suor e o pulsar do peito ofegante e apenas vejo: a boleteria 47, um senhor feio de óculos e a sua mão, ela abana algo...meu cartão do banco!!! Puta madre, che!
Pois é, mal comecei e já dou uma dessas, bem diria papai :
- Marilia, Mariliaaaa... essas coisas só acontecem com você, porra...não acrediiitooo!
E já começaria a espumar e ter um acesso nervoso. Bem, creio que ele está lendo isso agora e te digo, papi: tudo dá certo no fim das contas e confirmo, é tem coisas que só acontecem comigo!
Ah, e quanto ao ônibus, ele não veio mesmo, me botaram em um outro! Trinta minutos depois estava eu nos bancos azuis novamente, a tal felicidade incondicional se expressava pelas dentadas em uma bela empanada. Em vez de pernas, o que caminhavam eram os olhos, esse agora chegaria entre a plataforma 9 e 12...menos mal!

Nenhum comentário:
Postar um comentário