segunda-feira, 23 de junho de 2008

no y basta!


Creio que “não” já não é suficiente.

Sigo envolta de turbulências que agitam meu novo país, e como ainda estou a maturar a casca que me define como estrangeira, sigo nesse mar bravio em um bote, um pequeno bote já quase insuficiente. O mergulho no oceano já se mostra inevitável.

Cartazes adornam mercados nos privando de um bom banquete no país que também é de fartura. Falta carne, falta óleo, falta farinha, falta...

Faltam decisões e o país se mostra perturbado e raivoso. Mas a raiva Argentina tem um tom europeu-latino, uma mistura rara que só se vê aqui. Enquanto em nosso país as ruas transbordariam de crianças semi-ignorantes de cabelos duros, afiados, queimando bandeiras e com bolsos cheios de sedentas pedras, ansiosas por um Bush qualquer. Aqui o povo canta em unison com panelas na madrugada.

Polidos e incisivos os gritos bem colocados perturbam, mas não o próprio povo, porque esse está sem exceção na rua lembrando à consciência que “quem não chora, não mama”. Ficar calado aqui não é o perfil e quando a noite se mostra densa saem para acalenta-la com a soma de gerações. E por ai marcham centenas e milhares, alimentando as manifestações que não param, na verdade, se multiplicam instigadas por um ácido apetite. Bem, acho que chegou a hora de darmos um novo uso para colheres, tampas, buzinas, panelas, gargantas e pupilas.

Dale, hermanos!

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