quarta-feira, 22 de outubro de 2008

27 de julho de 2008. Yavi, Jujuy.


Yavi, por Mirza Pellicciotta, minha mãe.

O tempo está parado neste vilarejo localizado há 14 km de La Quiaca, no extremo norte da Argentina. Algumas dezenas de casas de adobe sem fechadura nas portas dão forma urbana a uma pequena colina que, ainda hoje, guarda em sua porção mais baixa, uma igrejinha do século XVII (toda forrada de ouro e prata de Potosí) e uma “casona” que, por mais de 200 anos, administrou as riquezas do “Marquesado de Tojo”. Javy perdeu-se no tempo e no espaço. Pelas ruas calçadas de pedra, vez por outra, cruzamos com uma criança de bicicleta, com algum carro a caminho de La Quiaca, ou ainda, com uma senhora acompanhada pela filha que, a caminho de casa, transporta em tecidos enfaixados pelo corpo, alguma preciosidade doméstica.

De fato, testemunhos de um mundo colonial ibérico permanecem presentes nos traçados de terra que, vez por outra, ostentam uma placa de seven-up ou dão acesso, por uma portinha, ao mundo virtual da internet. Mas, mais do que isso, Yavi guarda nas proximidades da Laguna Colorado, paredões de pedra carregados de petroglifos através dos quais, pássaros, llamas, homens e símbolos abstratos registram a presença de culturas que, milhares de anos atrás, já desfrutavam desta paisagem.Mas o frio toma conta de tudo. Do pátio interno das casas chegamos ao sol e nas ruas calçadas, só a força para subir as ladeiras enche nossos corpos de calor; de qualquer forma, na hora de comer, junto aos deliciosos estofados de cordero, pizzas e spagettis nos permitem reencontrar velhos e novos sabores de um território maravilhoso, isolado e singular por sua temporalidade.

Esta viagem – para mim, há poucos dias em curso - enche de orgulho um coração de mãe, afinal, é a Marilia quem a está guiando e me fazendo descobrir este mundo mágico e profundo

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